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A volta triunfal dos solos de guitarra

Posted by Dimitri Brandi On 1 comentários

O que me fez querer aprender a tocar guitarra foi um solo. Mais especificamente o de "Aces High" do Iron Maiden. Lembro-me até hoje da primeira vez que ouvi esse solo, parecia que tinha sido atingido por um ataque aéreo. Claro que eu já gostava muito de música em geral, e de metal e Iron Maiden em particular, mas até então eu não havia percebido a força que um bom solo de guitarra tem. O instrumento consegue passar agressividade, melodia e emoção, tudo ao mesmo tempo, quando o solo é bem composto e executado.

Comecei então a estudar, sempre sonhando em me tornar um grande guitarrista solo. No começo eu tinha muito preconceito contra guitarristas que só fazem base, me parecia que eles não sabiam tocar direito. O curioso é que mesmo eu me dedicando e direcionando meu estudo para os solos, eu não conseguia compor meus próprios de um jeito que me satisfizesse. Eu estava enganado, achando que bastava estudar a técnica, fazer exercícios o dia inteiro e tentar tocar o mais rápido possível para construir um grande solo.

Algo curioso e que às vezes me incomodou é que os solos de guitarra volta e meia "saem de moda". É comum em algumas épocas as bandas se orgulharem de não fazerem solos, dizerem que solos são idiotas ou inúteis. Isso às vezes é uma opção artística de um bom músico, mas às vezes é só um discurso que serve para encobrir as deficiências técnicas do guitarrista.

Houve até movimentos musicais que ficaram famosos por abolirem ou não se importarem com solos. Assim foi com o Punk, o Grunge, mesmo que isso não seja de todo verdade, pois algumas das melhores bandas dessas épocas faziam sim solos de guitarra. Até dentro do metal existem bandas famosas por não fazerem solos, como é o caso do Napalm Death, ou que simplesmente os abandonaram em alguma época, como fez o Paradise Lost na sua recente fase mais gótica.

Para minha sorte, parece que a moda de falar mal de solos e de cortá-los das músicas está acabando. Vários álbuns lançados recentemente tem uma verdadeira chuva de solos, alguns trabalhadíssimos (não confundir com virtuose gratuita), e até mesmo músicas em que o tempo dedicado ao solo acaba sendo maior do que a parte dos vocais.

Três exemplos que considero marcantes:

1) "The Stench of Redemption", do Deicide. A banda sempre teve solos de guitarra, mas é preciso reconhecer que a maioria do trabalho dos irmãos Hoffman nesse quesito não era marcante, até mesmo existem alguns solos bem ruinzinhos nos últimos álbuns. Mas agora, com a dupla de guitarristas Jack Owen e Ralph Santolla, os solos estão mais agressivos, técnicos e apurados do que nunca. A faixa título é uma verdadeira aula!

2) O último álbum do Trivium também é um verdadeiro festival de solos. Embora a banda não me agrade muito, fico muito feliz em ver, numa banda mainstream e mais comercial, a preocupação com a qualidade técnica dos solos. Tem tanto solo no último álbum que às vezes fica até chato, pois as faixas possuem uma estrutura muito parecida. Outra banda dessa leva que sempre mostrou ótimos trabalhos de guitarra solo é o Shadows Fall.

3) "The Blackening", último do Machine Head. Sempre fui um grande fã do trabalho do Robb Flynn, mesmo sabendo que a maioria dos fãs puristas de metal malhava e muito o Machine Head, pelas influências de groove, rap e nu-metal que a banda às vezes adicionava em seu som. Mas desde o álbum "Through the Ashes of Empires" a banda só tem feito 100% metal, e isso chega ao ápice nesse novo disco. Existem faixas em que a duração dos solos supera os oito minutos, às vezes dois solos diferentes tocados ao mesmo tempo, que é algo que muito me agrada quando bem composto.

Será que desta vez os solos estão de volta? E com força total?

O curioso é que nessa geração de guitarristas solos não existe nenhum que poderíamos dizer que é um "novo Deus da guitarra". Não tem nenhum novo Eddie Van Halen ou Randy Rhoads, o que talvez seja uma excelente notícia, pois está ficando claro que não é necessário uma técnica sobre-humana para construir um solo inesquecível. E talvez assim não tenhamos que aguentar uma nova safra de guitarristas imitação ou de músicos que só se preocupam com a velocidade, como se tocar fosse um exercício físico ou uma competição.

1 comentários:

Rubens disse...

Eu também antigamente acreditava que para que um guitarrista fosse bom, ele tinha que fazer solos com muita velocidade, ser virtuoso, fazer várias notas por segundo. Mas com o passar do tempo eu vi que velocidade não era tudo, ja vi muito cara que é rápido, mas na hora de fazer uma melodia mais lenta, não consegue, não tem feeling. Percebi que depende muito do estilo que o cara toca, por exemplo, eu gosto tanto do Yngwie Malmsteen quanto do Eric Johnson, os dois guitarristas são completamente diferentes, o Malmsteen tem muita velocidade e o Eric Johnson tem uma melodia incrível sem precisar "debulhar" as cordas.
Hoje, tenho muito mais boas idéias para compor solos do que antes, quando eu só gostava de solos rápidos.

Pra mim os solos são muito importantes no metal, e é muito bom que esteja voltando, um solo bem trabalhado enriquece muito a música.