Não sou de ficar contando vantagem, mas desta vez não dá. O show do Testament ontem foi uma das coisas mais incríveis que já vi na vida. Fazia muito tempo que eu não agitava tanto, pulava, batia cabeça e me divertia como nesse show.
Eu já sabia que eles iam abrir com "The Preacher", mas isso não evitou o arrepio na espinha quando o dueto de guitarras inicial começou. eu também sabia que a música seguinte seria a fantástica "The New Order", mas não pude conter a surpresa de reconhecer quem era o baterista. Eu, que esperava o velhinho Louie Clemente fora de forma e perdendo o tempo, quase caí para trás quando vi que as baquetas eram empunhadas pelo Nick Barker, o famoso Tio Chico da Família Addams, ex-Dimmu Borgir, ex-Cradle of Filth e ex-quase-todas-as-bandas-do-mundo.
Alex Skolnick é talvez o melhor guitarrista solo que já vi em cima de um palco. Agita o tempo todo, destrói na guitarra e ainda brinca com o público, sorrindo o tempo inteiro, mostrando como está feliz de estar ali. Outro que sempre sorria era o Gordão Chuck Billy, um frontman invejável, que parece que está cantando todas as músicas só para você.
E era um clássico atrás do outro: "Souls of Black", "Sins of Omission" (me arrepio até agora de lembrar do refrão "false sense of pride, satisfies, there's no reason for a suicide..."), "Practice what you preach". Aí a surpresa que eu não esperava, pois imaginava que o repertório seria focado na fase mais antiga, com Alex Skolnik e Greg Christian: "D.N.R" e "3 Days of Darkness", duas faixas do maravilhoso "The Gathering", tocadas com uma incrível fúria.
Quando começaram "The Legacy", eu entendi que estava no melhor show de metal que alguém pode imaginar: um repertório absolutamente perfeito, músicos de primeira linha em ótimas performances, numa casa de show confortável e com o som de excelente qualidade. E platéia fazendo sua parte, berrando absurdamente alto e abrindo rodas de mosh do jeito que tem que ser. E ainda encontro vários amigos de outras bandas underground, como os caras do Under Attack e do Side Effectz.
"Alone in the dark", nem vou falar nada para não estragar... Depois ainda comemoraram o aniversário do Nick Barker e tocaram "Disciples of the Watch".
Ah, e prometeram que dessa vez não vão demorar 13 anos para voltar. Espero que seja verdade, e que não cancelem nunca mais um show no Brasil.
Esta postagem comenta, brevemente, as letras e as músicas de nosso primeiro CD, lançado agora em 2007.
1) CELEBRATE THE BLOOD
Abre o disco com uma pegada bem thrash. A letra fala da manipulação da sociedade por meio da disseminação do medo e da sensação de violência descontrolada. É algo que os programas de televisão exploram ao máximo, transformando todos nós em vítimas de uma violência que nem sempre é real. Medo, ódio e vingança não são solução, mas instrumentos usados pelas ditaduras para desviar a atenção e disseminar a ignorância.
É a única música do CD que não possui solo, talvez para dar uma cara mais direta e agressiva. O final dela é das partes mais brutais que já escrevemos.
2) BLOODY YEARS FOREVER
Música antiga, mas que nunca havia sido gravada. Substituímos a maioria dos riffs e criamos uma parte atmosférica no meio, em que o baixo do Leandro desenvolve frases melódicas muito legais, antes da volta dos riffs pesados. A base do solo é uma quebradeira desgraçada. Também considero que nessa música estão algumas das minhas melhores performances como vocalista.
A letra é totalmente inspirada no livro "Frankenstein: o prometeu moderno" de Mary Shelley. Tanto eu quanto o Alexandre somos grandes fãs desse livro e do filme que foi feito inspirado nele, estrelado pelo Kenneth Branagh e Robert de Niro.
O curioso é que quando estava escrevendo a letra, sentei uma noite para reler o livro no original em inglês. Por uma incrível coincidência, o ritmo de várias frases se encaixava perfeitamente com a métrica da melodia dos riffs. Achei estranho mas aproveitei a sorte, usando frases inteiras do livro em alguns versos da música.
3) PSYCHOTIC EYES
Primeira faixa de nossa primeira demo, aqui regravada com novo arranjo, mais thrash. Também refiz o solo e o Valdemar sugeriu uma parte diferente no final.
A letra fala de psicoses e alucinação, com o personagem principal ouvindo vozes em sua mente, e aos poucos perdendo a noção da realidade e do certo e errado.
Gravei uma parte no início com vocais invertidos, que dão um clima bem malvado. Espero que ninguém nos processe por isso, como já fizeram com o Ozzy, Judas Priest e Slayer.
4) THE BLACK LOTUS
Nossa homenagem ao thrash e heavy clássicos da década de 80. É a única música em que cantei com vocais limpos em alguns trechos, para dar aquele clima de discos como "Show no Mercy" e "Curse the Gods".
A música tem uma parte no meio inspirada na música árabe. Pedimos ao Alex, nosso produtor e especialista nos estilos orientais de música, para tocar uma parte no Derbak, percussão típica do Oriente Médio.
A letra fala da celebração que é um show de heavy metal, fazendo alguns paralelos com um ritual religioso em que a fé é substituída pela música.
continua...
5) CARNAGE IS MY NAME
Música brutal e técnica sobre um tema muito difícil: a matança provocada pela ação ou omissão das forças de paz da ONU. Não se refere a nenhum país em especial, mas é inspirada pelo que ocorreu em Ruanda, Somália e Sudão. Nesses países a ONU é enviada para manter a paz mas não consegue evitar genocídios e chacinas.
O ponto de vista da letra é de um soldado, que percebe que foi usado com instrumento de carnificina. No final, ele acusa expressamente a ONU e seus dirigentes. Essa parte foi cantada pelo Valdemar.
Nessa música usamos samples do áudio do filme "Resgate do Soldado Ryan", conforme autoriza a Lei de Direitos Autorais, art. 36 (citar pequenas partes de outra obra não constitui violação). Os sons de guerra, morte e tiros casaram muito bem com o solo de guitarra, realizado com tapings, ligados e slides.
6) THE HAND OF FATE
Baseada no filme "Sinais", trata da busca pela fé perdida e da vida em família, num mundo ameaçado de destruição iminente. É a música mais lenta do disco, e possui um arranjo de guitarras em contraponto complexo, em que uma das guitarras acompanha as mudanças dos ritmos da bateria enquanto a outra faz um desenho melódico bem extenso. O contraponto é repetido no refrão e no final da música, com duas vozes sobrepostas.
Essa música possui o solo que mais gosto de tocar.
7) STORM WARNING
Mais uma regravação de nossa primeira demo. A letra fala de mudanças repentinas que podem trazer destruição. No encarte usei imagens do Tsunami da Ásia, que matou milhares de pessoas. Mas é apenas coincidência, porque grande parte da letra já estava pronta em 1999.
O instrumental é bem thrash e direto, e acho que conseguimos dar uma cara de Motörhead aos timbres. Gravei uma parte com vocais falados e dedilhado de guitarra limpa que deixou o meio da música bem atmosférico, antes do solo agressivo do Valdemar.
8) THE LOGIC OF DETERRENCE
De maneira geral, acho que esta faixa ficou com a melhor produção e mixagem. As guitarras foram inspiradas no trabalho do Death, até na escolha dos timbres. reescrevemos metade da música, em relação à versão gravada na primeira demo. Adicionamos novos solos e uma parte totalmente brutal no final. O blasting beat da bateria prepara para o fim do disco.
9) PSYCHOTIC I: REMEMBER
É uma música orquestrada que compus para encerrar o disco. Explora o contraponto entre duas melodias e os timbres de instrumentos de corda, enquanto o piano ao fundo faz a harmonia principal. Adoraria ouvi-la com uma orquestra verdadeira.
LINK PARA BAIXAR A SEGUNDA DEMO DO PSYCHOTIC EYES COMPLETA
Clique aqui para baixar a segunda demo completa do Psychotic Eyes. Esse trabalho foi gravado em 2002 e nunca foi lançado.Aguardem nosso primeiro álbum, a ser lançado em breve!
1. The Humachine
2. Sold to Soul
3. The Price
4. Nighmares of a virgin mind (instrumental)
5. Crystal Mountain (Death cover)
A demo inclui as duas músicas que você ouve no nosso perfil, mais as faixas "The Humachine", "Nightmares of a Virgin Mind" - uma instrumental curta e "Crystal Mountain", cover do Death que gravamos para homenagear o melhor compositor de metal de todos os tempos: Chuck Schuldiner.
Deixem seus comentários!

